terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O espelho a minha frente é coisa muda,
mas de sua mudez ele me fala:
a imagem alheia do outro lado
me contempla longínqua e interrogante,
parte de mim, em mim multiplicada,
e posta fora do que sou, textura
de outra pessoa, de outro sonho e forma
(no largo sono de um deus tranqüilo,
a voz se cala e deixa que o cristal
a memória de um vago ser recrie)
Ilusória assim como qualquer cifra.
                          
Existimos, inúteis, refletidos.
um teatro de sombras, sigiloso:
o que somos, em nosso alto crepúsculo.
                    (Jorge Luiz de Melo Borges)

“A mente é um espelho, apenas isto”, ele me disse e eu fui dormir com aquele espelho na cabeça. Sonhei com Borges, com Narciso, com Platão, com tratados de yoga e com Alice no país dos espelhos e com o retrato de Dorian Grey. Acordei com o barulho de vidro se estilhaçando no chão. Pensei, então, em fazer um mosaico com os cacos de espelho (era uma vez o espelho de uma penteadeira...), mas terminei por optar por uma espelhada “colagem textual”.
“Nosso corpo é a Arvore Bodhi
e nossa mente, um espelho brilhante
Cuidadosamente limpamos os dois, hora após hora
sem deixar assentar nem um pouco de pó.”

Escreveu o Shen-Hsiu, a que Huei Neng contrapôs:

Não existe árvore Bodhi
nem lugar para um espelho brilhante
Já que tudo é vazio,
onde o pó assentar?

Nosso corpo é a Arvore Bodhi e nossa mente, um espelho brilhante. Cuidadosamente limpamos os dois, hora apos hora, sem deixar assentar nem um pouco de pó
Nao existe arvore Bodhi nem lugar para um espelho brilhante Ja que tudo é vazio, onde o pò assentar? Esta "maxima"de Hui Neng,pertence ao Sutra que Vem do Ultimo Assento,o famoso Sutra da Plataforma.O livro é" A Biografia de Hui Neng" por Wong Mou-lam